Um poema para Mandela

 

Ah, eu sabia, um bom

motorista de táxi como papai

nunca perderia uma grande corrida,

nem em Cuiabá, onde nasceu, nem em  

Corumbá, cidade em que viveu, tampouco

em outros continentes, onde ele nunca antes havia

exercido a sua nobre profissão – e não é que neste 5 de dezembro,

dia em que faria 97 anos de idade, o velho deu partida logo cedo no carro

e chegou ao anoitecer à África do Sul para buscar Mandela, o seu mais ilustre passageiro,

e levá-lo para qualquer lugar sossegado que ele quisesse ir  – mas quem estava em

Johanesburgo, nessa hora, viu que Mandela embarcou no banco da frente,

indicou ao chofer outro destino e soltou aquele palavrão:

– Toca pro Brasil, seu Narciso; desconfio que essa

porra de apartheid anda em alta por lá!

 (Luiz Taques)

 

 

 

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