UM BILHETE PARA A CINEASTA PAOLA PRESTES

 

(Foto) Artistas Massao Ohno e Hilda Hilst: parceria perfeita. (Blog Acervo Massao Ohno)

 

 

*Por Luiz Taques

 

Não me lembro de quem foi a primeira pessoa a me falar sobre o Massao Ohno.

Mas, lembro-me de que achei interessante, à época, o que ouvi a seu respeito.

Algum tempo depois, em um sebo, comprei livro de um poeta pernambucano, e, lá, estava, no currículo dele, a citação a Massao Ohno como editor daquela obra – com orgulho, o poeta fez constar isso na ‘orelha’.

Pensei: esse editor é diferenciado!

Agora, para a minha sorte, ao sintonizar o “Curta!”, quase que por acaso, o canal começava a exibir o filme “Massao Ohno – Poesia Presente”.

Da poltrona, não arredei o pé. Assim, fiz feliz escolha. Pois pude, finalmente, conhecer em plenitude esse belo editor. E o seu trabalho também, cineasta Paola Prestes.

É como se a ele, ao Massao Ohno, com o seu filme, eu fosse apresentado pessoalmente.

Qual filme, na atualidade, é capaz de nos proporcionar essa imediata familiaridade?

“Massao Ohno – Poesia Presente” parece conversa entre amigos.

Flui feito bate-papo de amigo, contando saborosa história, para outro amigo, para aquele amigo sincero e solidário que sabe ouvir o que de prazeroso o interlocutor tem a dizer.

Ouvir, com a devida atenção: coisa rara neste nosso mundo individualista, mundo já há muitas gerações encharcado pela nossa mesquinhez, humanos enfermos.

Guardadas as devidas diferenças entre literatura e cinema, o seu filme me fez recordar de São Bernardo, o romance de Graciliano Ramos. O Mestre Graça suavizou, com um imaginário iluminado, a brutalidade de Paulo Honório. Igual Graciliano, você soube biografar com maestria um personagem. Lógico, o seu personagem de carne e osso já era afável. Retidão de caráter inquestionável. Paulo Honório achava que a história dele merecia um livro. Massao Ohno já tinha o livro da própria história graficamente diagramado. Faltava alguém para transportá-la para a tela do cinema. Foi o que você fez, cineasta, ao enriquecer, com esse documentário, a instigante trajetória literária de Massao Ohno.

Sabia-se que ele era habilidoso editor de livros, e, aí, você aparece e o poetiza. Mas só se consegue poetizar alguém, no cinema, o artista com sensibilidade aguçada e provido de competência.

Fiquei satisfeito ao assistir “Massao Ohno – Poesia Presente”.

Com talento, você inventariou um sujeito bacana. Que, da poeta Hilda Hilst, foi o primeiro editor – dos poetas Roberto Piva e Cláudio Willer, também. E de tantos outros: uns oitocentos poetas país afora. Inventariou um paulistano, filho de imigrantes japoneses, formado em odontologia pela USP, cuja profissão exercera por pouco tempo.

Lá, onde Massao Ohno foi se eternizar, com certeza, ele anda tomando umas e outras e rindo e comemorando o êxito do filme.

Não era ele que arranjava motivos para tomar umas e outras?

Portanto, de lá, entre um gole e outro pro santo, Massao Ohno deve andar brindando:

– À sua saúde, cineasta!

 

 

    * Luiz Taques é autor dos romances “Pedro” e “Um Rio, Uma Guerra”.

 

 

 

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