Rosa. Simplesmente Rosa

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A moda agora é lenço na cabeça: vem lá de Corumbá, cidade do Centro-Oeste brasileiro que faz fronteira com a Bolívia. E essa moda foi lançada por Rosa Mavignier, 63 anos de idade, mãe de quatro filhos – ela é artesã e está com câncer no ovário.

Faz quimioterapia na Fundação Pio XII, em Barretos, interior paulista, e os seus cabelos, como já previa a medicina, não demorariam muito a cair. No entanto, feito uma onça ali da sua região pantaneira, Rosa não se deixou acuar e nem tampouco o abatimento tomar conta dela. Já careca – “a sensação é deprimente” –, ela andou experimentando algumas perucas, mas não gostou de nenhuma, e, por isso, desistiu de usá-las.

Rosa Mavignier, a sobrinha Ana Cristina Mavignier, a filha (de blusa preta) Andréa Orro e a irmã (de branco) Vânia Mavignier. Só Rosa está doente, as outras, solidárias, aderiram à moda.

Rosa Mavignier, a sobrinha Ana Cristina Mavignier, a filha (de blusa preta) Andréa Orro e a irmã (de branco) Vânia Mavignier. Só Rosa está doente, as outras, solidárias, aderiram à moda.

 

Rosa conta: – Descartada a peruca, comecei a colocar lenços na cabeça e a inventar diferentes tipos de amarrações, e gostei do que estava trajando, e então resolvi fazer um chá virtual de lenços para divulgar a ideia, e, para a minha surpresa, a moda pegou na internet, pois os meus parentes e as minhas amigas logo começaram a exibir com orgulho essa moda de amor ao próximo, e então eu a batizei de lenço solidário, e a moda pegou e hoje está aí, à disposição para quem quiser aderir e sair com um lenço na cabeça em apoio àqueles que enfrentam tratamento de câncer.

 

 

 

 

Alberto Orro, filho da Rosa Mavignier. Ele é médico em Ilhabela e um dos grandes incentivadores da campanha da mãe.

Alberto Orro, filho da Rosa Mavignier. Ele é médico em Ilhabela e um dos grandes incentivadores da campanha da mãe.

 

E Rosa diz que está encarando a doença com a força do otimismo. “Sim, com bastante otimismo”, ela faz questão de garantir a todo instante, uma frase de otimismo grudada numa outra frase de otimismo, igual suor grudado no corpo naqueles dias de calor de 40 graus de Corumbá. “Penso na cura, creio nela, assim como uma avó pensa e crê num bom futuro para os seus netos”, continua a falar essa artesã de olhos castanhos claros e que, com barro e estopa, confecciona réplicas de São Francisco de Assis.

O barro para fazer a escultura do santo, segundo ela, é retirado do rio Paraguai, que banha a cidade de Corumbá. Rosa explica sua técnica: “Só uso esse barro e estopa; modelo um por um e não uso molde, por isso, todos são diferentes, e a veste recebe toda uma química de endurecimento durante a modelagem”.

 

Amarrações com lenços que Rosa passou a usar e ensinou às mulheres.

Amarrações com lenços que Rosa passou a usar e ensinou às mulheres.

 

Recentemente, nas salas de espera de quimioterapia da Fundação Pio II, e com o apoio da direção do hospital, Rosa Mavignier distribuiu lenços e, também, ensinou àquelas pessoas em tratamento de como elas poderiam, com simplicidade mas com criatividade, amarrá-los na cabeça. “Foi muito comovente, porque acho que ajudei a recuperar um pouco a autoestima de quem estava ali”, ela lembra. Desde a sexta sessão de quimioterapia, em outubro deste ano, Rosa passou a usar lenço na cabeça.

 

 

A Fundação Pio II, em Barretos, é mais conhecida como o Hospital de Câncer de Barretos. O hospital existe desde a década de 1960 e é referência em tratamento de câncer no Brasil.

Além de ser o mais difícil de diagnosticar, o câncer de ovário é o quinto tipo de câncer mais comum entre mulheres – o de mama, é o mais frequente. E 27 de novembro é o Dia Nacional de Combate ao Câncer – de lenço colorido na cabeça, Rosa Mavignier está firme no combate ao câncer que a acometeu.

(fotos do Arquivo Rosa Mavignier)

 

 

 

7 Responses

  1. mara sallai

    emocionante. Rosa, Simplesmente Rosa.
    Minha teve cancer de mama o cabelo caiu e ela usava um chapeuzinho de croche.
    Além do cancer a falta do cabelo também doía . Não era dor física, era dor da alma feminina. E a mim restava o papel de chorar escondida.

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    • Lina Menezes

      Querida Mara, também chorei escondida. Aliás, quantas vezes o fazemos nesta vida. O que fica é a emoção do amor que sentimos. E a saudade que aplaca suavemente o vazio. c/ carinho. bjs

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  2. Sílvia Badilio da Silva

    Se eu já era fã da Dona Rosa Mavignier, pela sua arte e respeito aos animais, hoje sou muito mais! Ela é um exemplo de mulher para todas nós! Guerreira, sua missão na Terra é linda, parabéns!!!!

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  3. Alberto Orri

    Essa mulher ensina todos os dias que nossos problemas são melhor enfrentados quando o fazemos com otimismo, determinação e altivez.
    Parabéns mãe, pela luta e, principalmente, pela vitória.

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