Morar sozinho, sem voltar para casa dos filhos

 

Foi-se o tempo em que após uma separação ou viuvez, a mulher ou o homem perdia a independência e ia morar com um filho.

Até certo momento esse fenômeno era visto como natural. Os filhos se sentiam culpados por deixar o pai ou a mãe morar só, ou o próprio cidadão se sentia desconfortável para dar continuidade à vida diária.

A sociedade também pregava uma cultura equivocada do ‘não abandono’. Tudo no entorno dessa pessoa que passava dos 50, 60, 70 anos de idade implicava num tipo de pronto acolhimento.

Entretanto o fato de estarmos vivendo por mais tempo, da mulher também ter conquistado o mercado de trabalho – portanto, aumentando a renda familiar – e da promoção de direitos, um novo contexto se configura no país em diversas áreas.

Além do aumento no número de viagens nacionais e internacionais na chamada terceira idade, há também o crescimento no índice de pessoas com mais de 60 anos vivendo sós.

images-4Para se ter uma ideia, esse número triplicou, passando de 1,1 milhão para 3,7 milhões, entre 1992 e 2012. O que representa um aumento de 215%, segundo dados da Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílio (PNAD), do IBGE. No mesmo período, a população de idosos acima de 60 anos passou de 11,4 milhões para 24,8 milhões, um crescimento de 117%.

Construtoras e imobiliárias já descobriram essa fatia de mercado, começando a desenvolver comunicações dirigidas para atingir e conquistar esse público.

 

Liberdade

Maria Lúcia Carvalho, aos 67 anos, decidiu separar-se do marido com quem viveu por 43 anos. Segundo ela há mais de dez estavam infelizes. E foi depois de voltar a estudar (hoje faz cursos o tempo todo – inclusive pela internet – e diz que se fortaleceu ampliando sua percepção da vida) que tomou a atitude de morar sozinha. Para sobreviver (e viajar de vez em quando, que ela diz adorar) faz traduções.

Marina Menezes casou-se aos 17, viveu mais de 50 anos casada. Foi feliz – sempre diz – mas dedicou-se todo o tempo aos quatro filhos e ao marido. Quando se viu viúva, enclausurou-se em si mesma por quase um ano. Tinha dois caminhos a escolher. Optou por se reinventar (como ‘Fênix’ renasceu das cinzas) e hoje, com mais de 70 anos, faz ginástica todo santo dia. Fez amizades novas e cultiva as antigas. Não faz mais comidinha em casa. Almoça fora. E depois de uma aparente timidez que praticou boa parte da vida, sorri, conversa alegremente com gente dos 5 aos 90 anos. Seu círculo de convivência.

Maria e Marina moram sozinhas. Tiveram oportunidade de morar com filhos. Mas preferiram optar pela ‘liberdade’ que, segundo elas, tem um valor e um sabor que cutucam a felicidade.

Mulheres assim – há uma feminização do envelhecimento por aqui – me motivam. Há um novo olhar sobre a idade e sobre a vida.

 

 

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