Minhas lembranças1….

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Se temos ou não outra ou outras vidas…. é uma questão pra depois. Quem não acredita nisso, só o saberá quando partir. E quem sabe, voltar, pra nos contar. Mas, não é disso que quero aqui falar….

Já vivi uma parte – boa – da minha vida, até agora. Entre conquistas e percalços, até acho que em alguns momentos, caso tivesse oportunidade de retornar, até mexeria um ou dois pontinhos e assim talvez outro percurso se delinearia.

Mas, coisas simples. Como ter feito a viagem à Praga, que cancelei na última hora. Ter esticado um pouquinho e nadado com Golfinhos (estive bem perto e não fui).

Teria, talvez, fotografado 1 ou 2 roupas, das quais guardo um valor sentimental, e me lembro até hoje… como uma saia em gomos, cada gomo de uma cor – pois era feita de retalhos doados de tecidos – que minha mãe costurou em sua máquina Singer. E eu amava a tal saia! Ou uma calça laranja de zíper no bolso – eu devia ter uns 7 anos. Ou ainda um conjunto que me foi presenteado pela minha sempre presente irmã, Regina, calça cor de carne (vejam só!! é assim que me lembro…), blusa de manga comprida, marinho, e uma bota preta de salto. Caiu-me perfeitamente na estreia de uma festa na quadra da escola em que dancei a noite toda. Tinha por volta de 13 anos!… e fui toda sentindo-me faceira, linda e feliz!

Pensei até que teria acordado mais vezes em plena madrugada, quando menina – mas, não! O fiz tantas quanto tive vontade, levantar pé ante pé, com meus dois irmãos, Augusto e Dário, e sairmos da casa, 4 da matina, para ir até o fundo do quintal observar o acordar do galinheiro. Era uma festa. Depois, subíamos num muro muito alto, pendurávamos os pés pra fora, e ficávamos ali, a conversar, rir e ver o nascer do sol. Lembro até da brisa, friazinha, deliciosa que nos tocava os rostos de alegria!

Tive pais, Marina e Benigno, gentis, compreensivos, bondosos. E uma das qualidades mais marcantes é a de como sempre confiavam em mim. Pra tudo: viajar sozinha, jovem, com o namorado. E de moto na estrada por mais de 500 quilômetros! Aproveitar a noite londrinense com 3, 4 amiguinhos, à pé, sem hora pra voltar. Outros tempos, menor risco noturno. Havia muito mais ingenuidade naquele tempo. Essa postura de meus pais comigo me ensinou a confiar plenamente hoje em minha filha…. A confiança gera segurança…

Nem os casamentos que ainda não deram certo – no detalhe… do para sempre…. rs (do primeiro, curtíssimo e muito jovem, nem me lembro direito…. rs, pura verdade), e do segundo, longo – quase 20 anos – ainda que hajam dores, não faria nada diferente, pois em função dessa união tive Sofia, a filha mais incrivelmente maravilhosa que poderia sonhar, um dia, ser agraciada nesta vida! Ela é melhor – muito melhor – que eu, em tudo. Nos detalhes em que vejo em mim que são defeitos (como a demora para decisões – pois avalio tanto todas as variáveis… que, nem sempre, o faço no tempo que seria ideal), nela é ao contrário. Ela sabe o que quer. É firme e decidida.

Quanto ao trabalho, à carreira, à profissão…. gosto do que vivi. Mas, neste quesito, certamente, por imaturidade ou receio, deixei de aproveitar algumas boas oportunidades. Só aqui, provavelmente, me arrependo. Tive dentre alguns, dois mestres especiais, que viram em mim, talvez, coisas que, à época, eu mesmo não enxergava em mim… Jota Jota e Flávio Toledo. Por eles, eu teria seguido caminhos específicos no universo da comunicação e educação, e se bem me lembro dos conselhos ímpares, estaria famosa e rica. O que não aconteceu necessariamente assim… rs Mas, há coisas que realmente a gente só consegue enxergar e dar valor depois que amadurecemos… O que também é bom…

Enfim, não sei se é a brisa leve de hoje ou  a laranja doce que me delicia agora…. o que sei… é que quero aprender – e acho que sempre é tempo – a aproveitar mais a vida e as oportunidades que ela nos apresenta!

Complicar menos, simplificar mais.

Pensar menos, experimentar mais.

Ter mais coragem.

Deixar a vida um pouco me levar…. com o toque de seu curso sábio….

porque talvez, pra cada um de nós, alguns trajetos estejam mesmo escritos nas estrelas do nosso destino.

 

gratidão.

lina menezes 14 agosto 2015

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