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“A voz forte de Leny se mistura aos tempos de infância. Na casa de madeira da Londrina que nascia, na década de 50, só havia o rádio. A família toda se reunia pra ouvir, num pequeno rádio Semp, a Radio Nacional e seus grandes cantores e cantoras. Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Angela Maria e, claro, Leny Eversong, não tão popular como as outras, porque cantava mais em inglês. E como cantava!

O tempo passou, Leny foi para Las Vegas, com quase 700 shows, Olympia de Paris, Hollywood, e sempre aplaudida de pé. Dava canjas em shows de Sammy Davis Jr., Frank Sinatra era seu fã de carteirinha, tanto que gravou duas músicas dela. Foi comparada a Ella Fitzgerald, a Time a elegeu como a melhor cantora americana em 1960, sim, uma brasileira que não sabia falar em inglês e que cantava com uma cola na palma da mão!

Apresentou Brasília lá fora através de fotos, antes mesmo que o Itamaraty. Tom Jobim passou a ser conhecido lá fora com as gravações de Leny. Sua importância crescia cada vez mais com interpretações fabulosas como Saint Louis Blues, Summertime, Smile, Fascination, I cant give you anything by love, Granada, Per una donna, e tantas outras.

Ela nunca morou de vez nos EUA, paixão pelo Brasil, o marido e o filho ficaram por aqui. E numa dessas voltas ao país, o marido Ney Campos, seu grande amor, desaparece. Leny não quer mais voltar pra Las Vegas. Maior atrito com produtores, que   desmarcam seus shows. Temporadas. Começa a busca pelo marido e ela não desiste, passando a se dedicar a isso. Vai entrando em depressão, diabética… bens bloqueados, porque era casada em comunhão de bens e o marido dado como desparecido e não morto, impediam que ela vendesse qualquer imóvel ou movimentasse conta bancária. Era o que dizia a justiça na época.

Parou de cantar. Foi morar de favor num quartinho até morrer, em 1984, totalmente esquecida e pobre. Mais tarde, descobriu-se, por acaso, que o marido fora morto pela ditadura militar, num ataque em que morreram mais 5 sindicalistas. Por isso, e pra não deixar que sua história caia no esquecimento, como já caiu, que resolvi reviver Leny Eversong.

Não há discos seus no Brasil, não há registro de imagens, a não ser pouquíssimas coisas. Mas, foram 7 meses de garimpo de imagens e depoimentos de artistas que conviveram com Leny, além de depoimento do único filho, Alvaro Eversong, que hoje vive isolado numa cidade do interior de São Paulo.

Viva Leny… Sempre. Devemos esta a ela, o Brasil deve esta a ela, que representou e muito nosso país lá fora. Isso apenas com a voz, sem os filmes como pretexto ou política de boa vizinhança, como era comum na época. Leny, a fabulosa é eterna.”

(Ney Inacio)

 

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Serviço:

A pré-estreia do Filme Documentário Leny “a fabulosa” de Ney Inacio acontece dia 1o de novembro, sábado, 17hs, na Sala Olido (Av. São João, 473, centro, São Paulo). Em seguida grande show em homenagem a Leny Eversong com: Angela Maria, Agnaldo Timóteo, Wanderléia, Moacyr Franco, Célia, Maria Alcina, Cida Moreira, Claudia, Edith Veiga, Márcio Gomes, Milena, Fábio Jorge e Luciene Franco.

 

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