Ignez Baptistella: uma mulher que ousou enfrentar o mundo

 

small_pcuvoolivreConheci Ignez (com g mesmo!) pelo face. Comecei a acompanhá-la. Já aprendi a torcer por sua reabilitação (fez uma cirurgia recente) e passei a admirá-la quando soube de trajetos significativos de sua história.

Aos 50 (hoje ela tem 84), do interior de São Paulo ela rumou para Londres (Inglaterra) quando, além de ser a primeira vez no exterior, não falava uma palavra sequer em inglês. Corajosa. E mais: nessa época ela desfez um casamento (no qual teve seis filhos) e deixou para trás uma vida estável financeira.

Mas, emocionalmente, tudo indica, foi um resgate. Daqueles atos corajosos que poucos cometem… (ainda que a vontade seja imensa e/ou a infelicidade existencial seja concreta).

Viveu, pelo jeito, experiências incríveis nos dez anos em que permaneceu na Europa. De volta a Araras, Ignez Baptistella escreveu um livro – “Voo Livre – A história de uma mulher que ousou a enfrentar o mundo”.  (Livraria Cultura – http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=23001621)

 

23001621Ainda vou ler inteiramente este vôo livre de Ignez… mas, enquanto isso, autorizada pela própria, publico um trecho que me encantou:

 

Capítulo 12
A porteira

“Quando era pequena, morando na Fazenda Pinhalzinho, todas as estradas tinham porteiras. 
Porteiras que limitavam e intimidavam. Porteiras são barreiras, são fronteiras, até a linha do trem tinha porteira. Outras estradas tinham mata-burro, quem sabe o que é isso ?
As crianças detestavam as porteiras, eram elas que desciam do fordinho velho para abrir as porteiras, vento, frio ou chuva. Outras divisas eram limitadas por porteiras de arame farpado, um horror! Estas meu pai abria. Mas gostávamos de brincar na grande porteira perto do casarão, balançando e competindo quem pulava mais rápido até o dia que nela colocaram um cadeado.
Cresci sonhando em saber o que encontraria além daquela porteia.
No caminho que segui encontrei tantas porteiras! Fui morar na cidade, as casas, a escola, aqui e alí, até no cemitério , para cada limite havia um portão que pra mim era uma porteira.
Muitas vezes parei diante de porteiras intransponíveis.
A sociedade , o casamento, a profissão , o relacionamento entre pessoas… A porteira que só se abre se tiver um visto ao visitar outros países, nos aeroportos ela se chama “gate”.
Hoje tenho uma porteira virtual dentro de mim que cerceia meus movimentos, minhas atividades, minhas emoções , meus sonhos. Sou um barco parado na praia onde pousam as gaivotas para ouvir minhas histórias…”

 

Pelo jeito essa não será a única contribuição dessa mulher encantadora, escritora, aqui no meu site. Um encontro do acaso (?) que será, por mim, longevo… Obrigada Ignez! 

https://www.facebook.com/ignez.baptistella

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