DEIXEI NO OCEANO ATLÂNTICO

 

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Grima Grimaldi e seu filho Juliano, em Londres

 

 

“Estava há uns 3 meses sem sair de casa, sem encontrar pessoas que gosto, então resolvi passar 10 dias em Londres com meu filho que eu não via há 2 anos. quando eu estava voando naquele avião lotado, atravessando o oceano atlântico, numa viagem de 11 horas, tive uma sensação que me causou um certo conforto, um certo alívio, algo que há muito eu não sentia. era como se eu estivesse jogando pela janelinha daquele airbus todas as minhas mágoas, meus ressentimentos, frustrações, me livrando de um peso que estava me fazendo ser uma pessoa triste e rabugenta comigo mesmo, desconfiada, sem motivação alguma para nada. Até percebi uma certa preocupação na Ciça (minha mulher) tanto que foi ela quem insistiu muito para que eu fosse visitar meu filho, trocasse um pouco de ares, desse um rolê por outras calçadas, ruas e visse gente e lugares diferente.

Se eu esqueci do que me incomodou e me deixou assim? Não, simplesmente deixei de dar importância, inclusive, a algumas pessoas. É como se elas, em um passe de mágica, desaparecessem. Como se seus nomes se apagassem da minha memória.

Outra coisa bacana é que andei pela cidade e conversei muito com meu filho, o que me deixou completamente feliz. Descobri ali que a felicidade existe e encontrar com ele era um dos exemplos, e que me fez repensar em muitas coisas. Podem até não acreditar, mas nesses 10 dias com ele em Londres muita coisa mudou dentro de mim. Ainda não sei explicar direito mas me sinto mais leve, tranquilo.

Também andei muito sozinho pela cidade observando seu tempo, seu movimento e percebi que eu estava meio que estacionado em um tempo que, por mais que eu quisesse que ele voltasse, não volta mais pq a vida é sempre pra frente, não tem flash back, e não adianta nada eu querer me desviar do meu caminho ou retroceder. Não tem volta. Em dezembro faço 59 anos, perto dos 60, que é múltiplo de 10 e eu sempre achei que vc sofre mudanças nos múltiplos de 10. A gente se apega mais a eles e por isso ficamos imaginando como vamos estar aos 20 anos, aos 30, aos, 40, aos 50, aos 60?

Talvez, amigos que me encontrarem depois desse meu recesso achem que fiquei mais calado, menos efusivo, menos entusiasmado. Continuo com a mesma intensidade que tinha só que agora guardo ela mais pra mim, não quero mais sair por aí distribuindo entusiasmo pq nem todos estão disposto a recebê-lo e isso nos torna muito chatos, além de trazer uma certa frustração. O que eu quero mesmo é viver o que me falta viver, o resto que me sobra e para que eu possa aproveitar ao máximo isso, não posso mais ficar carregando mágoas e ressentimentos e por isso mesmo sinto que esse foi meu momento de mudança. Por fora continuo o mesmo, mas por dentro sei que algumas coisas mudaram e acho que vai me fazer bem.”

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