Com vocês, a poesia de Cesar Carvalho

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Cesar Carvalho leciona na UEL – Universidade Estadual de Londrina.
(foto: Regina Utsumi)

 

Para quem não o conhece ainda, podemos dizer que ele se veste como poeta; tem o jeitinho e o andar de poeta, e, principalmente, compõe feito um singular poeta. Pois Cesar Carvalho faz poesia igual a um bom e original poeta. Vejam, por exemplo, a força intensa destes versos: “ao caminhar, numa estrada sem fim, vou passo a passo.

Cesar Carvalho nasceu em Pompeia, interior paulista, mas mora em Londrina, Norte do Paraná, onde é professor universitário. No ano passado, aos 64 anos de idade, ele decidiu tornar público o seu universo literário; foi quando lançou PROESIA.

brisa noturna.   

   na palma de minha mão,

            o silêncio.

A poética de Carvalho é refinada, portanto, tem imensa qualidade – há quem desconfie que esse apuro, esse aprimoramento, seja lapidado lá no fundo daqueles óculos de grau de poeta que ele usa.

Ou, talvez, venha das suas inúmeras influências, que vão desde histórias em quadrinhos – ele diz adorar os super-heróis –, passando pela literatura do argentino Jorge Luis Borges, dos poetas concretistas Augusto de Campos e Edgard Braga – “os concretistas me ensinaram a ter cuidado com as palavras” –, dos beatniks – “deles aproveitei a veemente relação arte/vida, porque, de resto, acho-os um pouco verborrágicos pro meu gosto” –, e desembocam nos tomos de haicais.

o velho mastiga,

          nos farelos do fubá,

            o sabor da infância.

Também como influência na sua formação artística há a meditação budista – “ela me ensinou a ser econômico com as palavras, já que a gente gasta muita energia falando, e escrevendo, então, nem se fale”.

hora de ir. saltar no infinito. grande vazio.

 

PROESIA, o livro de estreia de Cesar Carvalho, tem 296 páginas, e está sendo vendido pelo site www.estantevirtual.com.br – no Paraná, na rede de livrarias Curitiba e, na cidade de Londrina, também na Ciranda de Livros (rua Jorge Velho, 48). Preço de capa: R$20,00.

 

Uma quase biografia

               Por Cesar Carvalho

“ao contrário de muitos poetas, só comecei a escrever poesias depois dos 30 anos. tímido, mostrava-as para uns poucos amigos e nem sequer considerava-me digno do qualificativo poeta. ao longo das décadas, elas foram-se acumulando. muitas se perderam. outras, joguei fora. perto do crepúsculo, resolvi buscar leitores e apresentar as que sobreviveram. ao longo das décadas, fiz muita coisa. abandonei a vida acadêmica, em que era professor no curso de Ciências Sociais, e me tornei produtor cinematográfico. em termos financeiros, uma tragédia. como experiência de vida, fantástico! aprendi, com os rigores da profissão de cineasta, que a vida também pode ser poética. hoje, meus investimentos no cinema limitam-se ao pagamento de ingressos. voltei para a vida acadêmica e resolvi fazer o de que mais gosto, escrever”.

 

 

 

 

 

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