Alzheimer: suplemento para fases iniciais no Simpósio Internacional Avanços em CCL

 

Tive oportunidade de participar de um evento em São Paulo e, por isso, conto aqui a novidade sobre o papel da nutrição na fase inicial da Doença de Alzheimer.

Esquecer? Não é normal!!!….

Sabe aquela história que alguns ainda classificam que ‘esquecer a chave, esquecer o trajeto, esquecer o compromisso etc’…. é normal porque faz parte do envelhecimento?! Grande equívoco que precisa ser combatido.

Falhas e confusões na memória, quando se torna rotineira, mudança brusca de comportamento, dificuldade em aprender coisas novas…. podem ser sinais de alerta para uma demência. E sabemos que, dentre elas, a mais comum é a Doença de Alzheimer (no Brasil são mais de 1,5 milhão de casos).

Resultado promissor…

É justamente para esta fase inicial que há novidades. Há muito que os pesquisadores estudam a associação de que lipídios alteram o risco de demência.

Agora, resultado de dois anos de pesquisa do projeto europeu LipiDiDiet, publicado no periódico científico The Lancet Neurology, aborda o impacto dos lipídios nutricionais no desempenho neuronal e cognitivo no envelhecimento, na doença de Alzheimer e na demência vascular.

O estudo envolveu 311 pacientes com diagnóstico de doença de Alzheimer prodômica. O grupo ativo (Fortasyn Connect) e o grupo controle (composto isocalórico) ingeriu 125 ml uma vez ao dia. As avaliações principais ocorreram no início do estudo e também aos 6 meses, aos 12 e aos 24 meses.

‘Os resultados apresentaram melhora do desempenho cognitivo e funcional e reduziram atrofia de hipocampo’, enfatizou o dr Tobias Hartmann, pesquisador da Universidade de Saarland, na Alemanha, coordenador do projeto, que estava presente no II Simpósio Internacional Avanços em CCL que aconteceu no último dia 14 (abril), no Hotel Intercontinental na capital paulista.

Segundo o pesquisador, ‘não é a cura do Alzheimer, mas é a primeira vez que temos uma terapia capaz de modificar a doença’. 

O neurologista dr Paulo Bertolucci, palestrante no evento sobre ‘Como e quando tratar o paciente com doença de Alzheimer prodômica’, lembrou que ‘não existe medicação que previna a conversão do CCL (Compromentimento Cognitivo Leve) para demência. Mas, intervenções como essa não medicamentosa pode retardar a conversão’. Ele destacou que o estudo foi financiado pela Comunidade Europeia, portanto, livre de viés comercial. 

Com mais de 140 médicos presentes no evento, vindos de várias regiões brasileiras, o estudo LipiDiDiet foi bem detalhado. Bem como informações sobre quem é e onde está esse paciente com CCL foi abordado pelo neurologista dr Paulo Caramelli, que veio de Minas Gerais para participar do Simpósio. Ele também salientou a importância de estudos de prevenção, utilizando intervenções não farmacológicas como esse composto nutricional, treino cognitivo, atividade física, sejam isolados ou em combinação.

No encerramento, o geriatra dr Wilson Jacob Filho ampliou a reflexão abordando ‘O papel do geriatra e do gerontólogo para o paciente e para a família com doença de Alzheimer prodômica, abordando os aspectos emocionais envolvidos’. Alertou, inclusive, para a necessidade de não passarmos a ver a pessoa apenas como a doença. ‘É comum, não só o profissional, mas também membros da família, ligar para o paciente idoso e somente perguntar – se tomou o remédio, se dormiu a noite, se evacuou. Não devemos esquecer de considerar a biografia daquele indivíduo’. Ele não considera que temos resposta a todas as dúvidas no tratamento do CCL, mas vê com bons olhos esse importante aliado terapêutico não medicamentoso, o que pode provocar mudança epidemiológica da prevalência de demência nas próximas décadas. 

Um grande desafio…

A maioria das pessoas com CCL não sabe que tem um problema. Nesta fase de Comprometimento Cognitivo Leve é comum que a própria pessoa não perceba e que o familiar – que, em geral, quer postergar a possibilidade de descobrir que há uma doença, também não dê a devida importância. 

Fica portanto uma alerta: se há suspeita de um problema de memória, consulte um médico, vá a uma unidade de saúde. Quanto antes diagnosticado, melhor a possibilidade de intervir e melhorar a condição para o indivíduo. Além disso, segundo o estudo LipiDiDiet tomar essa bebida nutricional, todo dia, tem gerado benefícios justamente neste momento inicial de declínio. 

Ouvi, no final do evento, de uma participante que tem dado essa bebida nutricional com múltiplos nutrientes (Fortasyn Connect – o Souveneid) para o pai dela, uma vez por dia. Após cerca de sete meses, ela disse que notou diferenças na performance do pai. ‘Ele estava mais disposto, inclusive, para almoçar domingo com a família. O que tem sido uma alegria lá em casa’, disse-me. 

Ao final do Simpósio os quatro médicos de excelência foram bombardeados por perguntas. Muitas eram as dúvidas. E muito também era o ânimo do público especializado que percebeu os resultados do estudo como promissores para o tratamento da doença em uma fase que até o momento não existem medicamentos aprovados. 

 

 

Mais fotos do II Simpósio Internacional Avanços em CCL

 

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