Alerta: suicídio entre pessoas idosas

Lamento. Mas não posso deixar de me manifestar. Acabo de receber uma ligação. Contaram-me de um senhor de 75 anos que tirou a própria vida. Cometeu suicídio. A família pequena (mulher e um filho) estão desolados. Ele estava aposentado. Trabalhou a vida inteira. Disseram-me que ele não aguentava mais ficar ‘só esperando a morte chegar’. Pelo relato, quadro de depressão – não tratado. Muito frequente entre pessoas idosas.

São sempre questões complexas. É um tristeza imensa. Independe das razões. Falta de condições de sobrevivência (não são poucos os casos), falta de propósito na vida, isolamento social, abandono, doenças que ameaçam a vida, dores físicas, emocionais e espirituais…. além da violência cometida contra pessoas de idade mais avançada. Atos violentos, inclusive, dentro de casa, na vizinhança conhecida.

Não apenas um problema pontual. Um problema de saúde pública. Um problema da sociedade.

Ainda carregado de estigma e preconceitos, não falamos de suicídio. Não falamos de morte. Mal falamos de envelhecer. De verdade.

Tenho sabido de tantos casos de descasos. E do aumento de suicídio entre pessoas com mais de 70 anos.

Quero fazer algo. Quero somar forças. Vou contatar sociedades médicas, associações de pacientes, empresas, institutos, agências de propaganda, núcleos de ensino, imprensa.

Bora fazer uma campanha de combate à violência contra a pessoa idosa, de combate ao suicídio entre pessoas idosas, de prevenção e conscientização em prol da vida.

Sei que todas as idades podem ser vítimas. Mas, como ando, nos últimos anos, atuando tão focada nas causas do envelhecimento, e é uma temática que ainda fica mais embaixo do colchão, nos silêncios das entrelinhas, quero ajudar a dar voz e visibilidade a isso.

Há pouco tempo gravei um programa sobre Suicídio com a participação do CVV (Centro de Valorização da Vida) que faz um trabalho valoroso de prevenção do suicídio e apoio emocional. Em breve vai ao ar. Avisarei. Por enquanto, deixo já aqui o LIGUE 188 do CVV. Gratuito. 24 horas. Afinal uma conversa, um ouvir pode salvar alguem. E pode acolher quem fica, o enlutado do suicídio.

E, sinceramente, ninguém, nenhuma familia, está imune de vivenciar uma tragédia assim. Portanto, somos todos protagonistas. E assim, podemos fazer algo mais. Sinto pelo textão. Mas te convido a vir junto! obrigada!

lina menezes

Publique aqui um comentário, dúvida ou sugestão