Acolher a mulher agredida

A promessa é para o ano que vem. 2014 – ano de eleição – marca o reforço do programa de combate à violência feminina no país. O governo paulista informa que a estréia da iniciativa da Casa da Mulher Brasileira será em março. E neste modelo de assistência integral à mulher, cada estado deverá ganhar uma também, segundo o Ministério da Saúde.

É boa a fórmula que congrega num mesmo espaço atendimento médico, psicológico (finalmente estamos reconhecendo que a mulher agredida sofre de estresse pós-traumático), além de delegado, juiz, promotor e defensor público.

Na tal Casa paulista, que ficará no centro da capital, haverá um total de 20 camas e 20 berços. Então, se lotada, serão 20 mulheres por mês acomodadas nesta infra.

Como o número de mulheres que sofre violência é muito maior, uma boa sugestão é que parte do recurso de R$ 265 milhões destinados pelo governo federal ao programa também possa ser canalizado para capacitar mais hospitais e unidades de saúde nesse acolhimento.

Pois, vale lembrar, o exemplo do Hospital Pérola Byington que, há anos em São Paulo, faz do Pronto Atendimento um serviço de referência no socorro à mulher vítima de violência sexual.

Acompanhei diversos desses atendimentos – casos de crianças a idosas – que receberam uma assistência multiprofissional competente. E lá mesmo funciona também unidade da polícia, da justiça, do IML.

O problema é que a maioria dos hospitais (públicos e privados) não quer atender esse ‘tipo de paciente’. Lembro-me bem de quando fiz um trabalho educativo de combate à violência que esta era uma das queixas mais frequentes.

 

Em geral, estes casos chocam, expõem a desumanidade, geram até certa repulsa, e não são uma boa vitrine para os hospitais angariarem prestígio, reconhecimento e mais clientes.

Mas, com certeza, ampliar locais de atendimento com capacitação e fazer um trabalho mais amplo e continuado de educação e conscientização da população é um caminho que julgo viável e útil. Nem por isso, fácil. Mas, necessário.

 Lembretes:

  • Lei Maria da Penha existe há 7 anos.
  • Disque Denúncia – 181
  • Central de Atendimento à Mulher (o ligue 180) também deverá ser transformado em disque denúncia.

 

 

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